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terça-feira, 31 de maio de 2016

Voz Ativa, Voz Vibrante!

Aula de Voz I

Vila Velha- ES em 31 de Maio de 2016

Hoje voltamo- nos para um velho e amigável aquecimento vocal, o Si Fu Xi Pá, o Glax e o espreguiçamento seguido de ruídos sonoros comuns em nosso dia- a dia. Como bem sabemos,  a encenação em palco requer cuidados detalhistas e específicos. Isso porque em palco existe aquele momento em que todos estão com os olhos voltados para suas ações, gestos, expressões, movimentos e logicamente para a sua fala, o que é diferente de um filme, cuja cena pode ser trabalhada através da edição de tomadas seguidas, há o favorecendo até daquela relida no roteiro para relembrar alguma fala. Mas, o que pretendo passar para o leitor, com isso? Pretendo discorrer sobre a importância das técnicas utilizadas para os exercícios em voz para a cena e consequentemente o desenvolvimento do ator através desses meios. É interessante falar sobre técnicas no teatro, porque sempre que chego em casa ou converso com amigos que são ignorantes nessa área, uma das primeiras ideias que descobrimos através de suas concepções é a de que os alunos de Artes Cênicas não estudam, apenas fazem barulho. Bem, eles não fazem ideia de nosso comprometimento com o trabalho para que assistam um bom espetáculo ou um bom filme. Atuar não é apenas decorar um texto e transmiti- lo ao público como um cd pronto ou como uma fórmula aprendida para não tirar zero na prova. Atuar, em minha concepção é como um gato cujas pessoas dizem ter 7 vidas. A cada dia há uma lição nova, a cada dia sinto- me me recriando e se, vamos supor, que estejamos nos preparando e ensaiando para um espetáculo, o diretor chegue e diga: Pessoal, não está surgindo a poética ou diga que não estamos mais queimando em palco, o mesmo tem a liberdade de mandar parar, refazer, recriar, zerar e fazer tudo diferente. Se o gato tem 7 vidas, me pergunto, o ator tem quantas? O ator anda numa corda bamba, rascunhando no imaginário entre dilatação e o encapsulamento para atingir a potência de sua energia, resgatando através da ruptura, da quebra de visualidade e audição o sussurrar depois de um grito, o olhar feliz e o olhar sofrido, o ator se recria no próprio palco. Veja bem, em nosso cotidiano nós acordamos com o despertar do celular, tomamos banho, escovamos os dentes, nos alimentamos, trabalhamos e estudamos. Você já parou para refletir sobre as entrelinhas de nosso cotidiano e de nossas profissões? O celular que está despertando foi montado por funcionários, cujos empresários verificam todo o valor inserido no produto e sua demanda, cuja finalidade é voltada ´para a tecnologia, agilidade e conexão com o mundo, cuja criação se deu por pessoas que estudam em vários horários e tem uma rotina por vezes louca como a nossa e tais pessoas estudam para que os consumidores desfrutem de um bom produto que lhe ofereça exatamente os benefícios que à mesma espera, já na loja, nós compramos o produto, vamos ao cinema, encontramos os amigos, voltamos para casa e no outro dia estaremos numa nova rotina e com novos objetivos. Se parássemos para refletir sobre algo tão simples, poderíamos valorizar muito mais os empregos das pessoas. Veja, eu comparo esse processo de estar vivo e fazer coisas ao momento em que se abrem as coxias- Elas são a mostra de todo um trabalho e estudo de pessoas que visam algo em comum, aquilo que pode lhe fazer sorrir ou chorar, refletir ou discutir, se sentir bem ou mal devido à injustiça ou crítica, que lhe leva a comentar sobre o mesmo com os amigos e seguir sua vida com uma breve lembrança ou mesmo com uma reflexão infinita de um determinado assunto. Percebe- se que fiz uma volta para apenas chegar na técnica, mas creio ter sido capaz de mostrar que não fazemos apenas barulhos. A técnica Si Fu Xi Pá, Glax, Ruído, entre outras são utilizadas durante nossos ensaios para aquecer nossas cordas vocais a ponto de nossa voz ganhar potência, leveza e ondas sonoras capazes de transmitir a fala até o o ouvinte mais distante do palco.
De acordo com ALEIXO, o processo de desenvolvimento técnico vocal para o ator envolve aspectos amplos pois o fenômeno da vocalidade no teatro, aplicação dos recursos vocais no processo criativo, se estrutura a partir de fundamentos fisiológicos, culturais e poéticos (técnicas e linguagens). Assim, remeto-me ao momento em que começamos a nos espreguiçar em palco, deixando soarem livres os ruídos e múrmuros que surgem no decorrer de movimentos estranhados, aos poucos a voz tem a frequência aumentada. Formamos um círculo trazendo à tona qualquer assunto uns com os outros (proposta de Rejane Arruda), externalizando a fala aos poucos, aquecendo a corda para que a voz saia com naturalidade e potência. Geralmente, nesse processo, há a re- edificação de nossa estrutura óssea, fixando os pés ao chão em paralelo com o eixo do corpo, em vertical, para que facilite o movimento de todas as articulações de nosso corpo. Mas, o que estamos fazendo aqui não é apenas um exercício para a fluidez do som e sim, também, o reconhecimento de um corpo estranho. Assim, percebemos que cada movimentação altera a intensidade e até tonalidade de nossas vozes.

O corpo humano, segundo Klaus Vianna, permite uma variedade infinita de movimentos, que brotam de impulsos interiores e se exteriorizam através do gesto, compondo uma relação íntima com o ritmo, o espaço, o desenho das emoções, dos sentimentos e das intenções. Tal afirmação permite- nos experimentar no trabalho do corpo- sonoro com o estudo das ressonâncias, os impulsos corporais geradores de ações vocais. (ALEIXO apud Vianna, p.2004) 

A utilização do movimento do corpo juntamente com os múrmuros auxiliam na melhor percepção de situações, nos levando a possíveis recortes, nos levando à cena. Houve, ao meu ver, mais poética durante a realização das cantigas com as transições do medo frente aos monstros de cada aluno e a quebra do espaço com a cantiga de ninar: Se essa Rua Fosse Minha. A única questão é que durante esse último ensaio nós acabamos por fazer ao contrário. Por que tinha de encaixar perfeitamente dessa maneira? Então, ainda estamos verificando como ajustar esse momento. Finalizando, não posso deixar de comentar que a brincadeira do dilata ficou maravilhosa. Matheus pegou o microfone e começou a puxar as brincadeiras, como por exemplo: Um aluno de gastronomia dançando marchinha, e agora um aluno de artes cênicas! Isso ficou lindo porque contagiou geral e ficamos fervendo internamente, brincando, pulando, dançando e enfim, se divertindo como deve ser feito no dia.
O video a seguir relata uma pequena parte do processo de criação:




Att.: Sami Cassiano

Referências

ALEIXO, Fernando.Corporeidade da Voz: Aspectos do Trabalho Vocal para o Ator. 2004

terça-feira, 24 de maio de 2016

Caos ou Cansaço

Aula de Voz I

Vila Velha- ES em 24 de Maio de 2016

Dilata Sullivan


Em síntese, a linguagem vocal, assim como também "a música, (...) oferece muitos exemplos notáveis de hibridação" (Burke, 2003, p. 32 apud Santos p. 31)

A música tem o poder de tocar nossos corações, tem o poder de gerar sensações, trazer lembranças e até mesmo esperança, então há algo mais interessante do que utilizar- se da música para conseguir gerar a fala interna?


Hoje, devido à quarta acústica, muitos dos componentes não apareceram, e isso inclui o Allan que puxa o Blues. Pois estavam ensaiando arduamente para dar o seu melhor na quarta acústica. Mas seguimos firmes e criamos nosso próprio som. Claro que não foi na mesma qualidade pois quem me dera ter uma voz linda para cantar, mas valeu a nossa intenção. Levei meu objeto de estranhamento e o utilizei; apesar de tê- lo feito para ficar ajustado ao meu óculos, ainda estou tendo um pouco de dificuldades. Eu até poderia utilizar sem o óculos, mas me sinto mal, porque fico pulando e a máscara gera uma certa tensão claustrofóbica quando estou sem os mesmos. Acho que estava bem ativa nessa aula. mas vejo que o pessoal parece ter muito medo de aparecer. por exemplo, nos momentos que ficamos no palco fazendo as brincadeiras, percebo a maioria amontoada na parte de trás, deixando boa parte da frente vazia. E isso não ocorre somente na aula de voz, então eu corro pra frente e imagino que há alguma criança rindo e começo a brincar. Mas me sinto um pouco incomodada de não sair daquela parte porque nossos colegas não vão para frente. Bem, pode ser uma transição de fase, todos temos nossos medos e nossos erros, mas temos que aprender a encarar  a tempo. 
Sobre nossa grande roda em torno do público posso dizer que ficou linda, exceto pelos imensos espaços que todos nós continuamos deixando. Precisamos também treinar mais as músicas, dessa vez senti que conseguimos cantar mais as cantigas, quanto às marchinhas,... quase não escutamos as vozes uns dos outros.
Segundo Souza
No que diz respeito às tendências teatrais, performances e poesias sonoras mais recentes, observamos que voz, texto e ruídos se misturam na ideia de paisagem sonora. Especificamente na cena teatral pós- dramática, encontramos o que Lehmann, chamou de peça paisagem, na qual texto, voz e ruído se misturam na ideia de paisagem sonora. (p. 31) 
Essa peça paisagem parece se construir ao longo do processo do medo frente ao terror, com todos juntos há apenas aquele algo imaginário em nossa frente, porém forte o bastante para para gerar essa tensão entre o caos e o medo. As vozes geram o recorte de vários momentos. Gritos, sussurros e o surdo como portal entre o espaço-tempo nos leva à batida para acordar. A quebra é feita com uma das mais lindas canções de ninar e começa a acordar aos poucos as crianças de seus pesadelos.

Se essa rua 
Se essa rua fosse minha
Eu mandava 
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas 
Com pedrinhas de brilhante
Para o meu 
Para o meu amor passar...


O Jack protege as crianças do Breu, então não há o que temer! Tenhamos o brilho de acreditar como as crianças e assim todo o resto surgirá como a água fluindo livremente ao caminho da cachoeira, às vezes a graça está em deixar nosso lado criança ali sempre guardado para aparecer em momentos como esse.

Att.: Sami Cassiano

Referências

SOUZA, Cristiane dos Santos. Reflexões Sobre o Hibridismo Vocal em Performance. Ed. Urdimento, 2014.


terça-feira, 17 de maio de 2016

Joga Fora no Lixo

Aula de Voz I

Vila Velha- ES em 17 de Maio de 2016

Tenho andado um pouco exausta recentemente. Creio que seja a vida conturbada, receio pelo que representa essa crise em nosso país, gerando um grande crescimento na percentagem de desemprego. Trazendo em mim a reflexão de que eu faço parte desse índice de produtos descartáveis. Estamos num ponto em que mesmo encontrar respostas torna- se quase impossível. Hoje tivemos ensaio na casa de Vitor, referente à gravação do Reality, e como também tínhamos de comparecer à aula de Rejane, tivemos de ir caracterizados pois depois retornaríamos para continuar a filmagem. Esquecendo um pouco os stress que tivemos durante as filmagens, o mais interessante foi o processo de continuar no personagem fora do estúdio. Confesso que a princípio fiquei muito nervosa de sair no personagem de Tom Cavalcante- Pit Bicha, então para que eu conseguisse sobreviver à essa situação, resolvi criar minha regras de jogo sendo o Pit Bicha.

Inês Eztomazil e Pit Bicha

1- Na frente de Homens falar frases exuberantes como- Meus Deus eu só devo estar no céu, nunca vi tanto homem bonito! Quem homem lindo, que tal vir caminhar comigo? Meu Deus estou ficando nervoso, nunca vi tanto homem bonito! 
Usei palavras que enaltecessem os homens como- H maiúsculo, M de Macho, sente meu latido- AU AU
2- Na frente das mulheres falava- Minha nossa! Nunca vi tanta baranga!, sai de perto Satanás!, Não toca em mim! Eu desejo que você morra! Morra!




Também me arrepiava de nojo. Quanto mais vergonha eu senti mais alto eu falava e mais atenção eu chamava. Lembro que João ficou todo sem graça porque todos ficavam olhando e rindo. Logo na entrada encontramos um professor da turma de direito. E ele veio me cumprimentar chamando- me pelo meu personagem, aí fiquei em graça e falei- senhor, que homem, não toca em mim que eu gamo! Aí ele quase morre de rir e conversou durante parte do trajeto com todos os componentes do grupo. Todos ficaram falando que não saí do personagem, mas o que acontece é que eu precisei fazer isso porque a adrenalina foi gostosa, excitante. Acredito que escolher alguém como o pit bicha tornou possível em mim essa vontade de querer mais, aflorou algo em mim que não sei explicar, mas sei que está sendo bom. Antes eu seria a Sabrina do BBB- Big Brother Brasil, mas depois de muito pensar achei melhor não me estereotipar mais do que já sou naturalmente, não nego as origens diversificadas de minha família, eu adoro isso, sou como uma Sangue Ruim do Harry Potter, olho de um, tamanho de outro, cor de outro e isso fez de mim essa pessoa com quem aprendo a cada dia coisas novas, inclusive aceitação de que não há como mudar e sim lidar com minha genética. Eu admiro a cultura do japão e da coreia do sul, mas se eu apenas ficar sempre em algo assim, como poderei abrir espaço para o novo? Bem, você conhece o Andy Serkis? Se não, eu creio que falando um personagem dele com toda certeza você saberá, ele fez o nosso admirável vilão Gollum na Trilogia "The Lord of the Rings" (O Senhor do Aneis), e o Wagner Moura? o nosso famoso capitão Nascimento. Eu sou fascinada por vários atores e atrizes e se fosse colocar o porque de minha admiração frente a cada um, poderia escrever um livro. Mas escolhi essas duas pessoas em especial porque aonde quer que estejam eu sinto sua atuação tão bela a ponto de criar nojo do personagem ou criar um fascínio eterno. O Andy Serkis é para mim como um pai por quem anseio encontrar durante minha busca, mesmo que ele esteja velinho. 

Andy Serkis
O Andy possui muitos papeis de personagens feitos por computação gráfica, o que lhe permite a capacidade de agir como um camaleão em seus filmes. Apenas veja, por favor:


A cena acima é de Gollum em "O Senhor dos Aneis" e foi feita com o mapeamento do corpo através da Weta Digital. Esse mapeamento utilizando as luzes em LED podem capturar mínimos detalhes da expressão do ator, o que torna praticamente perfeita a imagem gráfica do personagem. Além de Smeagol ou Gollum, como é chamada a criatura, Andy também fez personagens como King Kong sendo o próprio King Kong e o Cozinheiro do Navio, de Peter Jackson, César em Planeta dos Macacos- A Origem e Planeta dos macacos- O Confronto, entre outros, como As Aventuras de Tim Tim e De repente 30.
Wagner Moura é um ator incrível e mais um camaleão, além de ser ator, é diretor e músico. Protagonizou filmes como Tropa de Elite, VIPs,  O Homem do Futuro e participou em peças como "Dilúvio em Tempos de Seca", "Hamlet" de Williams Shakespeare e estreou sua carreira internacional no filme Elysiun, com Matt Damone, Jodie Foster e Alice Braga. 

Wagner Moura




O trailer acima, é referente ao filme VIPs, em que é perceptível as metamorfoses do próprio personagem interpretado pelo mesmo. 
O que me fascina em pessoas como Wagner e Andy é exatamente esse camaleão existente em ambas as partes, no caso de Wagner a mudança ocorre constantemente, enquanto que em Andy, vimos praticamente para além da mudança de estado natural, praticamente uma metamorfose. Recentemente comecei a ler o artigo de Jan Fabre para uma apresentação referente à história do Teatro e achei muto interessante seu estudo em cima da metamorfose, a transformação à olhos nus. Vejo a metamorfose como parte essencial no trabalho do ator porque durante estudos filosóficos e antropológicos uma pequena concepção que vem surgindo é a de que tentamos fugir de nosso lado animal, mas ele vive em nós, alí, sempre à espreita pronto para ser utilizado. E então penso,por que não utiliza- lo? Acredito que parte dessa ideologia venha também nos estudos do mesmo. Mas pretendo aprofundar- me para poder gerar mais propostas e discussões. 
Além desse acontecimento referente aos nossos personagens, durante essa aula repetimos o processo de descrição do momento pelo qual passamos, o que ajuda a gerar uma fala interna para a leitura do texto. Dessa vez eu não fui para a frente ler, mas enfatizo a leitura da poesia de Thais, que fez uma mistura muito interessante de algumas músicas e acrescentou uma fala interna magnífica. Sua poesia se chama Joga fora no lixo. Eu confesso que fiquei admirada com a potência de sua voz ao recitá- la. Creio que ninguém esperava por isso.

Camburizinha (Thais Furtado)


Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Wagner_Moura
https://pt.wikipedia.org/wiki/Andy_Serkis
https://youtu.be/G9HWSuptvNc

Att.: Sami Cassiano



terça-feira, 26 de abril de 2016

The Blues

Aula de Voz I

26 de Abril de 2016

Essa aula me tocou intensamente, primeiro por perceber que o nosso processo ficará lindo, segundo porque uma das escolhas para a voz tem como base o blues. O blues, a princípio, teve o nome de "worksong", que se deu a partir da vinda de negros que foram escravizados durante um longo período, nos EUA. Relatos informam que os mesmos costumavam cantar durante o trabalho melodias tristes ou esperançosas que diziam mais ou menos que esperavam ansiosos o final do dia, que sentiam falta de familiares ou que estavam sofrendo. De algum modo essa história me afeta muito. Quando criança, costuma escutar algumas músicas enquanto minha mãe arrumava o guarda- roupa e dentre elas havia Jimmy Hendrix, Bruce Springsten, B.B. King entre outros, como por exemplo Aretha Franklin, que gosto muito. Talvez minha mãe tenha sido fundamental para que minha mente fosse sempre aberta para novas ideias e possibilidades, pois costumo escutar muitos estilos de músicas desde nova. Porém, sejamos francos, uma gaita e uma guitarra são suficientes para tornar o som poderoso. E, foi exatamente isso que ocorreu no anfiteatro. Nossos colegas, Vitor, Juliana e Paulo Henrique simplesmente foram maravilhosos na execução dos sons. Abaixo segue um dos worksongs, no período de árduos trabalhos de negros escravizados, prisioneiros. 

Durante nossos processos de pesquisa para elaboração das postagens acabo percebendo o quanto minha mente vem permitindo- me olhar em ângulos diferentes as mais variadas formas de aprendizagem, digo isso voltando- me para a diversidade de culturas que contribuem para novas técnicas que ajudam na elaboração de ideias e formação de pesquisadores. Agregar o blues à nossa performance abriu espaço para brincarmos um pouco com nossas vozes. Quando escuto essas canções, sozinha, costumo fechar os olhos para sentir o máximo possível toda a sensação que aquela música pode me proporcionar. Mas, em grupo, há uma certa diversão, uma liberdade.

Segue abaixo nosso primeiro ensaio para a realização da abertura de processo.




Seguimos numa grande roda preenchendo todas as laterais do Anfiteatro. Allan começou a cantar, não era uma música certa, mas sim arranjos de notas, melodias que remontavam ao blues, depois um de cada vez tinha seu momento para cantar no microfone. De acordo com BELO, Sara:

(...)A voz pode ser usada como um recurso expressivo e criativo bastante importante. Por exemplo para gerar ambientes sonoros: imitação de animais, imitação de sons produzidos pela natureza (como o mar, o vento, etc.), para gerar ambiências de terror através de gritos, de respirações; ou pode ser usada na sua vertente mais musical: voz cantada a solo ou em conjunto; enfim, a voz pode ser usada de tantas formas quantas a imaginação o permitir. Por isso o actor tem de ter uma voz livre, mas ao mesmo tempo dominada e preparada para servir múltiplas e variadas propostas: a par de um aprimoramento e rigor técnicos tem de arriscar e procurar outros registos expressivos. (A VOZ NA CRIAÇÃO CÉNICA - Reflexões sobre a vocalidade do actor. p. 21, 2011)

Assim, a roda de atores começou a preencher o palco aos palcos, entoados pelo som do tambor cada vez mais intenso e frequente, remetendo- nos ao medo, ao susto, ao terror... o tambor forte é a deixa para o grito de horror frente à plateia. Meus olhos seguiram na direção do que antes seriam as cadeiras, mas agora, deformadas, apareciam criaturas estranhas que se contorciam. Todos parados, olhar para a plateia, o som do tambor retorna, seguimos para trás, juntamo- nos, deixamos o ruído tomar conta e começamos a brincar com a voz. - Mamãe! Hey, você está aí? Olá? De repente, anne iniciou a cantiga de ninar, Se essa rua fosse minha. Fomos nos levantando aos poucos seguindo a canção, retornamos para as laterais com as cantigas cada vez mais animadas, demos praticamente umas três voltas até retornamos novamente ao palco brincando e cantando. Com uma energia que parecia querer explodir a qualquer instante, senti novamente a felicidade de uma criança. Mas uma criança no coração. 

O actor é, simultaneamente, um elemento de importância primordial – pois é da eficácia da sua actuação que depende o êxito do espectáculo – e uma espécie de elemento passivo e neutro – pois toda a iniciativa pessoal lhe está rigorosamente vedada. Este domínio é, aliás, um domínio onde não há regras precisas; e entre o actor a quem se exige apenas um simples e determinado tipo de soluço e o que tem de pronunciar com todas as suas qualidades pessoais de persuasão, há a mesma margem de separação que entre um homem e um instrumento. (ARTAUD, 1996, p. 96).

Att.: Sami Cassiano.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Dilatação da Voz

Aula de Voz I

19 de Abril de 2016

A aula, dessa vez, foi ministrada em sala de aula. Para tornar o ambiente mais propício, concordamos em apagar as luzes durante a recitação dos poemas. Iniciamos com Alberto, não me recordo agora se fui eu que recitei depois do mesmo. Mas, comentarei sobre o momento em que fui recitar. 
Luzes apagadas. Decidi não usar a luz do celular para que não fosse tirada a minha concentração, caminhei até um ponto em que as cores das palavras tornaram- se visíveis devido ao pequeno feixe de luz que reluzia do corredor pelo vasculhante. Meus ouvidos fecharam- se. Primeiro, voltei à infância. Eu estava no quarto dos meus pais, com o livro de literatura na mão, esperando pelo-" Pode começar"! De papai Fernando. O meu pai Fernando na verdade não é meu pai biológico, Ele chegou em minha vida quando eu tinha mais ou menos uns quatro anos, lembro- me que um dia ele conversou sobre algo parecido, Você pode me chamar de pai se quiser ou de tio Nando. Mas, escolhi chamá- lo de pai. Isso porque ele cumpriu desde sempre esse papel. Seus métodos de ensino eram um pouco rígidos para a minha mente e de minha irmã Nanda, sua filha biológica. Durante os estudos de matemática, ele nos sentava lado a lado, pegava a palmatória e começava a perguntar sobre as multiplicações, adições, entre outras. Sempre que errássemos, recebíamos em contrapartida uma palmada na mão. O estudo terminava e parecia que eu e Nanda estávamos vindo de um campo de tortura, com os olhos vermelhos de tanto chorar, e, as mãos em cor proporcional às dos olhos. (risos)
Eu gosto de lembrar disso, porque meu pai me ensinou a querer aprender a tabuada para não levar mais palmadas nas mãos, aprender se tornou uma questão de honra, aonde quer que eu fosse, levava a tabuada comigo, esquecia do tempo no banheiro só estudando as multiplicações. As sabatinas continuavam e eu levava cada vez menos palmadas, mas continuava chorando muito porque a Nanda nunca gostou de matemática e preferia levar palmada a estudar os cálculos. Não era diferente em relação à leitura. Ele nos colocava no quarto, trancava a porta e dizia:- Eu quero escutar claramente o texto daqui, na sala. E, depois me expliquem o que entenderam. E a batalha literária começava. A verdade é que eu nunca passava muito tempo recebendo chamadas por algo. Sempre procurava me superar e até começava a me sentir muito bem fazendo isso. Mas, quando Nanda entrava em cena, aos meus olhos iniciava- se o martírio. Hoje costumamos rir muito mesmo disso. O fato é que essa foi a essência para que eu inicia- se a recitação. Depois, me vi dentro do meu quarto, com mais ou menos uns 18 anos. Sofrendo de depressão. É que eu sempre tive uma paixão imensa pela dança. E, apesar de ter iniciado o curso de física, de virar noites e noites em claro estudando, em minha mente, esse mundo não fazia muito sentido. Eu era rodeada por amigos das turmas de química, física, engenharia, biologia e publicidade,... mas ainda assim parecia estar sempre sozinha. Quando iniciei o curso de Física, sumi das aulas de balé, pois queria tentar seguir em frente e me focar, mas não demorou muito para minha mente ficar conturbada e meu corpo chorar pedindo para voltar. Liguei para meu antigo professor de Hip Hop, Edgar Damasco, pedi que me ajudasse a retornar. Ele conseguiu uma bolsa pra mim no turno noturno. Então, nesse período ganhei duas bolsas, umas pela CAPs referente ao projeto que desenvolvia com meu orientador Dr. João Netto e a bolsa no Studio de Dança Patrícia Marques. Minha rotina era acordar às 5h45 para estar às 7h no IFAM, que era o horário da orientação. Depois da orientação vinham os estudos rotineiros até as 13h, início da aula, saía as 18h correndo, para receber a carona de um amigo que adorava tudo relacionado à dança, e por esse amor, ele me ajudava sem cobrar nada, nada mesmo em troca. Às 19h já estava com a roupa confortável e pronta para ensaiar. O retorno para casa era sempre complicado, pois o bairro em que eu tinha as aulas era muito longe de casa e passava por outros bairros considerados muito perigosos. Mas era tão bom,... Depois de um tempo eu já começava a faltar às aulas de Cálculo IV (eu realmente adorava essa disciplina), e um espetáculo muito importante se aproximava. Eu começava a me sentir um pouco fraca,... adoeci. O médico me informou que adquiri gastrite, e, que sofri uma fadiga. No decorrer dos dias comecei a sofrer por não saber mais o que fazer de minha vida... Meu co- orientador conversou comigo, disse que meu projeto estava entre os mais cotados e que se meu embasamento e cálculos tivessem bons fundamentos como o esperado, conseguiria uma bolsa de estudo na França. Consegui acesso às aulas de Frances juntamente com meu namorado, do curso de Engenharia Mecânica. Agora, havia mais uma preocupação. Numa manhã, tranquei a porta do meu quarto, me encostei num canto, entre a cama e o guarda- roupa, e me entreguei ao choro... Eu poderia conseguir a bolsa, quem sabe trabalhar em algum Instituto de Meteorologia ( sempre tive fascínio por fenômenos e desastres naturais como Descarga elétrica, Tornados, Tempestades) ou poderia correr o risco de me engajar na dança ou no Teatro,... E, pensei no que isso implicaria para meus pais, em especial ao meu pai Edimir... Pensei na reputação de minha família, eu era a filha que passara nas Universidade e Instituto Federal,.. eu era o comentário para os parentes, motivo de orgulho da minha linda avó. Perguntei a mim mesma, olhando para o espelho do armário. Samires, o que você quer? O que você quer? O que você quer? A minha mãe me interrompia de hora em hora perguntando se estava tudo bem, enquanto eu só retrucava, enxaqueca, enxaqueca,..  Então tomei uma decisão da qual não posso mais reclamar, pois hoje sei que tudo me levou para o lugar em que estou hoje. Eu apresentei no espetáculo. Antes de começarmos lembro de ter ido ao palco ainda vazio, fiquei olhando para tudo ao redor. Agradeci a Deus por ter me dado aquela oportunidade de dançar, prometi que não erraria nenhuma sequência,... Depois foi a magia. Foi perfeito. Terminei meu namoro. Cheguei ao 7º Período, mas encontrei alguém cuja essência nada perfeita o tornou perfeito, pois todos os nossos erros trouxeram- me para onde estou. Já aqui e longe de meus pais, continuo a tomar decisões e correr atrás de coisas importantes. Mas, essa corrida ganhou novo sentido. Esse curso deu- me a chance de poder responder o que quero ser. No fim das contas eu sempre presenciei meu próprio drama. Sou alguém que rir sem motivo, aliás quase toda a família de meu avô materno, " Minha maior inspiração", é assim. Choro na mesma medida que em fico rindo, choro de saudade, choro de amor, choro pelo que for. Grito quando preciso, as pessoas me acham fofa e eu me acho uma boba e tola. Pois meu excesso é um drama que não tem fim... Por isso escolhi esse poema. Por isso fiz essa substituição. Segue o poema de Clarice Lispector.
Sonhe
Seja o que você quer ser,
Porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê- la doce.
Dificuldades para fazê- la forte.
Tristeza para fazê- la humana.
E esperança suficiente para fazê- la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus
caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram .
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por 
suas vidas.

Quero agradecer à professora Rejane por sempre conversar conosco, nos mostrando onde melhorar, nos ensinando novos caminhos. E, agradeço muito aos meus amigos de sala, porque sei que compartilhamos muitos sentimentos juntos. Sempre faço questão que me falem o que for preciso, porque acredito muto no processo contínuo de aprendizagem. E, confio muito nos profissionais que nos direcionam nessa Universidade. Quero enfatizar uma pessoa, que, por imenso respeito, darei apenas o nome, "amigo". Ao meu olhar, quando escolho algo, não o escolho por escolher. Há uma essência pelo que optei. Mesmo alguém que diga, eu não pesquisei ou eu não procurei, precisou de um nome base para sua pesquisa, precisou escolher em algum momento. Então meu querido amigo, lhe direi algo que aprendi com uma incrível Professora Doutora. 
Aquilo que eu não sei.
Eu procuro
Eu leio
Eu treino
E aí sim eu o aprendo.
Não tema o desconhecido, torne as barreiras uma motivação para aprender sobre o desconhecido. Pois assim, quando algo similar lhe aparecer novamente, você já não o temerá como antes. Eu falo isso como alguém que se deparou diante de uma barreira, e por medo, preferi mudar a ter que encarar. O professor está presente em nossas vidas para nos direcionar. Então temos que nos desfazer de tudo aquilo que possa nos cegar diante de nossa aprendizagem. Com a mente clara e aberta, conseguiremos enxergar melhor esses caminhos. E, o que digo, é para você, para mim e todos os nossos amigos.

Att.: Sami Cassiano

terça-feira, 5 de abril de 2016

Roteirização de Partituras

Aula de Voz

05 de Abril de 2016

Dessa vez, foi nos passado o exercício de roteirização da fala interna. Confesso que fui pega de surpresa nessa situação, claramente que foi por algum motivo extremamente absurdo. O que mais me auxiliou durante esse processo foi o fato de ter um romance com o assunto Roteiro. Eu sempre gostei de criar histórias, pensar em detalhes, cenas interessantes e mais abstratas. Então, em 2015, parei para pensar a sério sobre isso. Descrever situações, pensar nas pessoas certas para fazerem os personagens, nossa que magnífico! Iniciei uma pesquisa sobre livros que pudessem me auxiliar, e, descobri o Christopher Vogler, roteirista e crítico, com um currículo imenso sobre as costas, de vários filmes que, ainda em elaboração, passaram por sua aprovação para poderem ser iniciados. Para os que sabem, a vida de estudante não é muito fácil, principalmente quando você decide depender apenas de você mesmo e seu trabalho, por isso tive de baixar o livro "A Jornada do Escritor" resumido. Sendo o mesmo minha grande inspiração. E, depois fui baixando outros mais que me auxiliariam nesse contínuo processo de aprimoramento, como por exemplo, O Heroi de Mil Faces. Atualmente estou lendo O Cinema e a Produção, de Chris Rodrigues, que enfatiza um capítulo para termos base sobre o processo para roteiro. Como posso explicar isso? Quando estou criando, me sinto viva, parte de algo maior. Um tempo atrás estava conversando com meu ex- companheiro e o mesmo disse- me:- nunca te vi tão feliz fazendo algo, mesmo quando está cansada é perceptível sua força de vontade e entrega no curso. Então, informo uma coisa muito importante à todos os leitores, não há nada melhor nesse mundo do que fazer o que se ama. Para representar meu amor, resolvi colocar a imagem do Neil, interpretado por Robert Sean Leonard, essa é a cena em que Neil está fazendo sua primeira encenação. Não irei falar muito sobre o filme, apenas indico para os que ainda não o viram, se deem essa chance de ver esse clássico. Esse personagem é muito cativante e nos faz chorar muito, esse momento foi como uma aprovação para o mesmo. Eu me senti praticamente na pele dele, a sensação incrível de estar vivo e ter um propósito. Ele foi à fundo no que diz respeito a viver a arte. E, para quem ainda não sabe, o grande motivo de escolher o nome "carpe dien" para meu blog foi exatamente para homenagear essa obra prima que é, ao meu ponto de vista, o filme " A Sociedade dos Poetas Mortos", eis que esse é minha grande inspiração. Eu o assisti ainda nova e do início ao fim, nunca vi um trabalho tão bem pensado para dar ênfase ao psicológico dos jovens desse tempo, cuja obrigação era serem os melhores, dando continuidade no prestígio de suas famílias. O ensino ortodoxo tirou o direito de liberdade de pensamento de vários estudantes. Mas, a grandeza de um professor, como começara a surgir ao poucos tais mestres, fazia a mudança nos estudantes certos, esses que, por vezes, necessitam apenas serem escutados e compreendidos, que precisam de alguém que acenda a chama da busca pelo novo, que lhe faça ter coragem de dizer o que realmente pensa, tornando nossas mentes mais críticas e desafiadoras.


Neil Perry- A Sociedade dos Poetas Mortos

Certo, depois de muita fala e indicação do filme.... Voltemo- nos. Levei meu processo de roteirização, ainda sem fazer muita ideia se era realmente isso que (R) queria. O que me vinha em mente o tempo inteiro era, e agora, você esqueceu de descrever com mais detalhes o som! Mas, ainda assim entreguei- o à ela para fazer as correções.
Durante sua leitura, disse- me que saiu muito bom, com a descrição das cenas, dos personagens e dá para entender o que se passa na cena e diálogo entre os mesmos. Isso me motivou muito, pois significa que devo continuar estudando mais e procurando aprimorar- me. Claro, há muito o que ser feito ainda em meu roteiro, sou uma mera aprendiz, ainda tenho muito a aprender e melhorar. Mas, motivação é tudo, espero conseguir desenvolver- me mais.
Segue abaixo os roteiros:


Performance 1.
MATA A BARATA!
1.INT.- QUARTO
Sami deitada na cama verifica as mensagens na rede social através de seu celular enquanto aguarda o marido chegar do trabalho.

Sami: (música backstreet boys)... quite playing games whith my heart.. my heart.. narananara
(suspira) Nossa olha que lindo!

(Barulho da porta abrindo)reeec

2. EXT. SALA
João chega em casa cansado e senta no sofá.

João: Aiai,.. que dia.

3.INT.- QUARTO
Sami levanta em direção à...
SALA.
Cantarolando e rindo das publicações no celular.

Sami: ... hahaha! Gente, que tudo! Oi amor como foi o dia no trabalho?
Barata: (Zummm Zummm)
Sami escuta um zumbido quase como um bater de asas e para pra prestar atenção.

Sami: Ai meu Deus o que é isso?

Sami olha devagar para o ombro e enxerga a barata que acabara de pousar. E João mal tem tempo de falar.

Sami: AHHHH!! Tira isso daqui, ai meu Deus!

Sami pula da cadeira para a mesa em desespero.
A barata voa e some.
 João se levanta tentando entender o que aconteceu.

João: Cadê? O que é?

Sami, chorando de medo. Num súbito enxerga a barata.
Pula para a cadeira novamente. Gritando.

Sami: AH! Está ali! Mata, Mata!
João: Aonde?!

A barata voa para perto de João e o mesmo joga a mulher para sua frente, que se treme de medo e corre pela sala até alcançar novamente a cadeira. 
João pega a vassoura que está localizada atrás da porta e mata a barata como um assassino inexperiente, dando umas quatro bofetadas!

João: Morre! Morre! Pronto, matei ela... ufa!

Sami fica choramingando na cadeira.

Sami: Graças a Deus!... Nossa que bicho nojento!E obrigada por quase me jogar em cima dela!

Dando- lhe um tapa nas costas

Fim!

Performance 2.
DISCUSSÃO BOBA

Sami discute com o namorado enquanto o mesmo arruma sua pasta de documentos. Ambos encontram- se com roupas mais soltas, parecendo pijamas. Ela lhe olha incompreensiva, fazendo bico.

Sami: Moh, mas porque não podemos ir, quero sair...
Namorado: Sam, amanhã teremos de acordar cedo. Sair nesse horário será cansativo.
Sami se levanta e vai em direção ao sofá na sala. Emburrada... Senta- se com os punhos das mãos encostados na bochechas e pernas flexionadas lhes servindo de apoio. Enquanto o namorado vira para se aproximar.

Namorado: Aonde você vai?
Sami: Poxa, eu queria ir!

O namorado segue em sua direção rindo. Tira a camisa para se sentir mais à vontade. Chega por trás da menina com birra e tenta lhe abraçar.

Sami: Só quero ficar aqui na minha, não me estressa.

Ela afasta os braços do mesmo.
O namorado começa a apertar sua bochecha lhe fazendo carinho.

Namorado: Vem cá minha panda. Deixa de birra.

Sami começa a ceder ao carinho, sorrindo.

Sami: Não... Para seu sem graça, me deixa... seu chato...
        
Ele a abraça intensamente lhe dando um beijo na bochecha.

Namorado: Eu sei que você não resiste ao meu carinho.

Final!

Performance 3.
A ligação

Sami encontra- se sentada no chão tirando as cutículas. O celular começa a tocar numa melodia proposital, que lhe remete a canção... Chamada a cobrar.

Sami: Tem um pobre ligando pra mim... Tem um pobre ligando pra mim!
Alô! Benção mãe?! 

No outro lado da linha, a mãe quase não consegue falar com a filha, pois o neto não para de gritar.

Mãe: Ah! Calado menino! Não para de gritar esse seu sobrinho! Sami, seu pai estava ruim no hospital, mas recebeu alta ontem, graças a Deus!

Sami tenta entender e se assusta um pouco com a situação de seu pai, pois achava que o mesmo estava saudável.
Sami: Ahh! Que susto!Mãe? Mas como ele está agora?

Mãe:Pois é... Ainda bem que melhorou!

Sami fica mais tranquila. Levanta- se e começa a caminhar pela sala enquanto conversa.

Sami:Nossa, que alívio mãe.O que realmente aconteceu?
Mãe: Dengue!Sabe que a maioria das pessoas estão assim agora, complicado... Filha,lembra do Vasquez?!

Dá um sorriso empolgado lembrando- se do grande amigo do passado.

Sami: Haha! Lembro sim, nossa ele era muito engraçado. Lembra do natal, o que ele fez? Haha!

A outra linha de repente fica em silêncio.

Mãe: Filha, preciso lhe falar algo, mas quero que tente manter o controle,... o Vasquez teve um derrame, ele está ruim no hospital, é possível que fique com grandes sequelas, ainda não sabemos com realmente está...

Sami fica calada, estática... o braço parece falecer de tão pesado e duro, o celular ameaça cair de sua mão trêmula.
Ela lembro do grande amigo, que sempre lhe fizera rir...
O rosto se declina e o som de choro começa a aumentar a frequência.
A mãe não é mais escutada no celular.


Sami:Não,... não pode ser, não consigo acreditar, ele está muito ruim? UTI?

Mãe: Filha? Filha beba um copo de água, tente se acalmar... filha? Está aí?

A garota desliga o celular e o posiciona na mesa, sai sem rumo pela casa choramingando a perda do amigo.

Fim!

Esse foi meu entendimento encapsulado das aulas de "voz I" que se antecederam. Depois do encapsulamento, fomos para o palco fazer as interpretações, para verificar todas que possam ser utilizadas em nossas futuras apresentações, e, confesso que dessa vez senti algo diferente. Menos medo, mais controle e presença de palco. Incluo meus amigos nessa situação também, pois percebi em muitos deles a dilatação. Uma das cenas que destaco é a de PH e (T), pois essa foi a vez em que vi (T) em um de seus melhores momentos. Ele simplesmente se soltou em cena, fez as improvisações e chamou a atenção de quem assistia. Houve um grande desenvolvimento e dilatação em cena. Houve a chamada presença de palco. Parabéns a ambas as partes!! 

Att.: Sami Cassiano





terça-feira, 1 de março de 2016

Agregando o som às situações

Aula de Voz I  ( referente às aulas de 01 e 08 de Março de 2016)

Você já parou para perceber em como as crianças reagem às nossas ações?
Com birra, suas vozes saem arrastadas;
Com raiva, saem gritantes como se o mundo saísse por suas pequeninas bocas;
Com dengo falam carinhosamente, numa entonação quase angelical;
Assim, devo eu remeter- me à substituição, através da pureza da reação de uma criança, para conseguir deixar o som fluir em harmonia com a frase?
Às vezes parece que quanto mais buscamos, mais percebemos que a emoção está em simplesmente deixar o som seguir, sair em conjunto com nossa expressão de raiva ou de amor, de nojo ou ódio. É que quando reagimos a algo, sai tão naturalmente do inconsciente,... eu poderia andar um dia inteiro com um gravador ligado e então só assim conseguiria identificar várias vezes a fala externa...  Mas, para utiliza- la através da técnica, realmente percebo que ainda tenho muito a aprender,...

Quando te pedem silêncio



 
Você ainda fala, baixinho, como um susurro,...


Ação e Reação

Dessa vez, resolvi juntar duas aulas em uma para poder explicar melhor o processo de evolução da interpretação do texto para a fala externa. O nosso objetivo nas duas aulas era o de externalizar o som através de nossa reação a uma situação. Para isso, o melhor seria utilizar o método da substituição.  Porém, nesse processo de criação, vi que fiquei muito fixada ainda no texto da aula de corpo ( Essa propriedade está acabada), talvez porque até o momento, foi o que mais me impactou. Senti que meu entendimento sobre o pedido feito pela professora não estava certo, mas ainda assim o desenvolvi. Segue abaixo minha base para a primeira tentativa na sequência de sons.

1. Estou cantando e de repente alguém me chama (larala larala larala)
2. Me assustei! Pensei ter visto um vulto...
3. Um riso rápido de sarcasmo;
.
.
Não preciso nem continuar, como bons entendedores, podem ver que fugi totalmente do contexto. Quando apresentei, estava crente de que essa era a ideia. Mas assim que iniciei a narração, fui interrompida pela professora me dizendo que eu destruí todo o processo de sons que criara no momento em que passei a narrar. É que na verdade, o objetivo é  trazer esse som para si, torna- lo parte de mim. (R) mencionou a palavra "agregar" o verbo à frase. Como uma forma de ação e reação frente a um acontecimento.

Na segunda aula, fizemos duplas com nossos colegas, cuja ideia seria expor os sons e deixar a interpretação à critério deles. No meu caso, juntei- me a (T).
(T) não me mostrou ainda os sons que produziu, mas fez uma interpretação engraçada dos meus. Uma pena que eu provavelmente não conseguirei filma- la interpretando- os. Caso eu consiga, postarei o vídeo para que tenham uma noção melhor.
Segue abaixo o vídeo  dos sons que emiti:



Obs: Tentarei colocar hoje a interpretação dos mesmos, só não o fiz juntamente ao vídeo porque segui a instrução da professora (R), que disse ser muito mais fácil para outra pessoa conseguir interpretar os sons que geramos.

Att.: Sami Cassiano




terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ação e Reação

Aula de Voz I

23 de Fevereiro de 2016

Foco e concentração


Olá! Queridos leitores, a aula de Voz dessa semana seguiu alguns procedimentos bem semelhantes aos da aula passada, exceto pelo fato de que ao invés de ficar falando, a professora (R) decidiu apenas falar baixo quase como uma mímica, o objetivo era exatamente que seguíssemos como numa sintonia, com toda certeza eu me senti bem mais relaxada nessa aula, meu corpo se deixou seguir. Ela chegou em meu ouvido e pediu que eu procurasse posições de conforto para o corpo, como se eu fosse dormir, enquanto deixava sair o som "humm", Em seguida foram desligadas as luzes e como uma quebra da sequência da aula anterior, toda vez que a luz da lanterna piscava uma vez ( não recordo a ordem), nossos gemidos ficavam mais altos,e, quando piscavam duas vezes, fazíamos os vários de tipos de sons bem baixos tornando- se quase um murmuro. Essa sequência nos possibilitou escutar melhor os sons de nossas vozes. 
A segunda parte foi muito divertida, não somente pelo método utilizado, mas também pela química boa entre mim e os dois parceiros com quem elaborei os sons. O procedimento era: O seu parceiro fixar o dedo indicador apontado em você, toda vez que a pessoa movimentar o indicador, você deve segui- lo através do som. Com meu primeiro colega (J V), costumo achar que quase todo procedimento que façamos juntos será sempre mais calmo, o que é bom pra mim, porque tenho muita energia e na maioria das vezes não consigo ficar quieta, então ele consegue quebrar meu ritmo, tira- me da zona de conforto e me levando para o desconhecido,
Com o segundo parceiro, (L), alguns sons que eu ainda não havia feito apareceram nítidos e engraçados. Ele já possui uma energia completamente diferente à do anterior. então conseguimos encontrar sons mais agudos e vibrantes, demos quase fala aos mesmos, como posso explicar isso? Como se a voz se camuflasse gerando na verdade um som do cotidiano, por exemplo: Uma ambulância, que por vezes parece estar mais distante e depois, ao se aproximar, gera uma melodia que nos faz pensar o som no formato de um círculo... 
O Último momento foi voltado para os sons através da reação que algo pode nos causar. Para realizar os mesmos, tive de fazer o método da substituição. Decidi trazer o tema para algo que é comum na vida de casais. Como tenho um compromisso com uma pessoa, tornou- se mais fácil utilizar o método da substituição.




Treinamento para liberação da tensão

Nosso corpo mais à vontade libera o som com mais tranquilidade.

Discussões Amorosas
1º som: - Amor, mas porque não podemos ir? Eu quero sair...
2º som: - Choramingando, saí da sala e sentei na cama.
3º som: - Ele chegou perto de mim e ficou tentando amenizar a situação, fazendo cócegas e carinho, até que eu deixasse de birra, assim cedi.

Att.: Sami Cassiano



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Dando vida à Voz

Aula de Voz I

16 de Fevereiro de 2016

Olá queridos leitores! Hoje tive minha primeira aula de Voz, cuja experiência foi maravilhosa e libertadora do início ao fim. 
Em busca de entender melhor os métodos utilizados em aula, separei alguns artigos que podem servir para uma melhor aprendizagem e técnica. Então, vamos lá e boa leitura!

À respeito dos exercícios para aquecimento vocal, AYDOS  e HANAYAMA informam: 

Os exercícios de aquecimento vocal tem como principais objetivos: possibilitar correta coaptação das pregas vocais (...) permitir maior flexibilidade das pregas vocais para alongar e encurtar durante as variações de frequência, (...) dar mais intensidade e projeção à voz, proporcionar uma melhor articulação dos sons, reunindo melhores condições de produção vocal. (p. 83-84, 2004)
O que, em nosso curso, é de grande importância principalmente para àqueles que pretendem se aprofundar à atuação em palco. Exigindo o controle sobre a altura tonal da voz assim como sua intensidade para os mais variados papeis que vir a atuar sem machucar nossas cordas vocais.

Assim, deu- se início à aula, ficamos sentados como uma forma de procurar o relaxamento do corpo. Os métodos utilizados foram os seguintes:

  • Massagear o rosto para liberar a tensão;
  • Movimento giratório da língua no sentido horário e anti-horário;
  • Bocejos seguidos de movimentos para espreguiçar o corpo;
  • Na posição de meditação inspirávamos e deixávamos o som "humm" se propagar;
  • Método Si Fu Chi Pa , entre outros.
Os exercícios iniciais foram bem tranquilos e pareciam fluir em conjunto com a turma. Bem, até a posição de meditação eu não havia percebido o quanto ainda encontrava- me tensa. Enquanto a professora (R) começava a mexer meus ombros procurando fazer com que eu relaxasse, eu tentava ,em paralelo, fazer meu corpo obedecê- la. Ela disse: - o som ainda não está saindo alto (balançando- me mais). Eu imediatamente fechei os olhos e simplesmente liberei minha voz para que a mesma se deixasse propagar. E então ela falou, - agora sim. Procedendo no auxílio aos demais colegas.

 Ao fazer o método Si Fu Chi Pa, senti meu corpo trabalhando do abdômen para cima, à medida que dava os intervalos, liberando os sons, ele fazia uma pequena contração e parecia preparar- se para sugar uma grande quantidade de ar, percebi que assim as palavras fluíam melhor e que exercitava bastante minha laringe. A sensação foi tão boa que resolvi até pesquisar o assunto. E, imaginem só, há um artigo muto interessante explicando sua eficácia.
De acordo com GUBERFAIN, o método Beuttemuller ( Si Fu Chi Pa) trabalha a expressividade do ser humano, indissociando corpo e voz (p. 2, 2012). Ao comentar suas características, acrescenta que o [si-fu-chi-pa] é um exercício realizado com sons áfonos (“surdina”) (BEUTTENMÜLLER, 1995:88), com movimentos costoabdominais, de lábios e de língua. Glorinha explica a opção pelo uso das fricativas surdas porque são “sons que não conseguimos fazer para dentro, ou seja, não os fazemos cair na garganta” (1995: 88). Este exercício massageia as pregas vocais, pelos movimentos da laringe. A massagem, a elevação e o abaixamento da laringe acontecem devido às diferentes tensões concernentes à emissão das próprias consoantes: o /s/ é mais tenso, eleva a laringe; o /f/, mais suave, abaixa; o /x/ alarga e o /p/ funciona como um suspiro, relaxando completamente a laringe (p.3).
Bem interessante não é? Aconselho ler um pouco a respeito, eu li e estou exercitando também em casa. Posso sentir que esse treino com certeza me auxiliará a melhorar bastante na próxima aula. Deixarei as referências abaixo para quem sentir curiosidades.
O próximo passo foi mais intenso, as luzes foram apagadas e (R) pediu que formássemos as expressões vocais que fossem surgindo em nossas mentes, deixando- as fluirem livremente , e, se quiséssemos inclusive interpretar o que gerava tais sons, poderíamos ficar à vontade para fazê- los, como por exemplo, o som de alguém com medo. Repentinamente, as luzes se apagaram dando espaço aos nossos gemidos, gritos, risadas entre outros tantos sons que em conjunto parecia um manicômio e outras vezes um zoológico cheio de animais e criaturas estranhas. Foi uma experiência incrível, por vezes conseguia escutar os sons que emitia, num momento eu era um cachorro, depois era uma criança cochichando, ora gritando e por vezes fazendo o som de uma coruja; eram tantos sons que por vezes os meus se perdiam em meio aos demais, De repente a luz foi acesa e todos deram uma parada rindo um pouco e ainda cheios de adrenalina. A professora imediatamente falou- Não parem, por que pararam os sons?
Bem, não sei quanto aos meus colegas, mas no meu caso, estava numa sintonia com o pessoal e a luz acendeu remetendo- me à lembrança de que eu estava no estúdio com um monte de gente ao meu redor  e que não sabia se continuava ou não, é bem provável que a luz tenha me intimidado.
O exercício final foi para formarmos 4 expressões sonoras ou uma cena indicando um determinado acontecimento, com a opção de fazermos sozinhos ou formarmos duplas. No meu caso acabei por formar dupla com um colega no qual chamarei de (JP). Iniciamos as buscas pelos sons sendo num momento dois lobos uivando, depois alguém desesperado correndo em meio à multidão e gritando enquanto tenta conseguir chegar o mais perto possível de seu artista preferido, ou então alguém que vai andando tranquilamente em sua casa até que se depara com um inseto que lhe deixa em pânico, e por último uma cena de enjoo, após ver algo nojento extremamente nojento, como por exemplo, um animal morto. Para a encenação decidimos apresentar a cena do inseto: Uma mulher que estava em seu quarto tranquila mexendo no celular, ao escutar o marido chegar decide ir para perto dele, mas o interesse pelo que ver na celular é maior, deixando- a desatenta. Após uns instantes, escuta perto de seu ouvido algo parecido com o bater de asas de uma borboleta, então não liga muito. Logo depois, sente algo pousando em seu ombro, olhando devagar, percebe que é uma barata e então se desespera, sai correndo e gritando pela casa. O marido assustado com a correria da mulher pega uma vassoura  e pergunta aonde está a barata e ela desesperadamente a avista no chão e grita, mata! mata! A barata passa correndo para a mesa em que ela está, fazendo- a pular para o sofá e noutro pulo chegar no quarto querendo chorar. Enfim, a plateia pareceu entender a cena e começou a rir bastante.
Fora a minha apresentação, pude ver as de meus colegas que fizeram desde os sons mais engraçados até o mais assustador e chocante, como a cena de um ser que parecia ser das trevas dando risadas estranhas e o homem que estuprava outra pessoa,... intenso. ( informo que foram apenas sons e gestos que denotavam os acontecimentos.
Enfim, adorei a aula.

Abaixo seguem alguns artigos que e deram um embasamento teórico no decorrer do texto.

REFERÊNCIAS


GUBERFAIN, Jane Celeste; MAIA, Luciano Pires; BAHIA, Roberta; OLIVEIRA, Domingos Sávio Ferreira de. O Exercício [Si-Fu-Chi-Pa]: Uma Contribuição Eficiente para o Aquecimento e Projeção da Voz no Espaço Cênico.

AYDOS, Bianca; HANAYAMA, Eliana Midori. Técnicas de Aquecimento Vocal Utilizadas por Professores de Teatro.
SANTOS, Marcio. Classificação Vocal.

Att.: Sami Cassiano